Muitos empreendem longas viagens para encontrar aventura. Bem, eu fui pra Pacatuba. Está a mais ou menos 20 km de Fortaleza, mas esconde grandes desafios, principalmente ali no chamado Conjunto Jereissati. Fomos eu e os meus colegas Márcio e Felipe passar um mês estagiando no posto de saúde do dito conjunto.
No primeiro dia logo vimos o que haveria de ser o mês de outubro para nós. Um médico e uma enfermeira que não gostavam de trabalhar denunciavam um mau início. Quiseram tratar-nos como médicos literalmente da localidade. Tínhamos até agenda com nossos nomes e pacientes especialmente desginados para nós. De acordo com o código de ética médica nós não podíamos atender ninguém sem supervisão de um médico. Após recusas de nossa parte aceitamos atender enquanto que o médico analisava nossas condutas. Menos mau!
A população muito sedenta de atenção, muito mesmo. A amoxicilina era o medicamento mais solicitado pelos doentes, mesmo que padecessem de um simples resfriado. Gastamos muito tempo para explicar-lhes que isso somente era necessário em casos especiais. Uma paciente ousou dizer que assumiria a responsabilidade de tomar o medicamento, mesmo que não precisasse, mas nós não podíamos ceder a essa pressão desnecessária pelo uso de antibióticos. Entendemos que a amoxicilina era a panaceia, o elixir da vida para aquele povo e quem o negasse era seu inimigo.
Tentamos ouvir cada paciente com seus queixumes, mesmo que para isso fosse necessário suportar o povo fora do consultório a bater na porta para que agilizássemos os atendimentos. Por muitas vezes, queríamos não tolerar a pressão dos próprios usuários, mas tentávamos sempre controlar a situação com um carão bem dado.
O saldo foi positivo. Por quê? Porque lidamos com uma situação limítrofe, com pacientes de verdade e doenças verdadeiras. Tomamos decisões sérias, supervisionados pelo médico, e hoje estamos mais seguros para trabalhar futuramente no interior. A aventura foi grande e no último dia merecemos uma recompensa: um passeio no balneário das Andreas (foto). Mas uma coisa é certa: eu ainda tenho sonhos (ou seriam pesadelos) de pacientes batendo na minha porta e gritando :"Eu quero amoxicilina!"
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Qual a medicina que queremos?
Não devemos olhar para a medicina apenas como fonte de lucro e de conhecimento. Não! É muito mais que isso! É preciso amar, ser misericordioso, é preciso testemunhar a vida de Cristo, é preciso ser um novo Cristo.
Eu quero ser esse profissional que não visa ao lucro e nem ao sucesso humano. Quero ser competente no que faço e, acima de tudo, amar os que sofrem, os doentes, escutá-los, aliviar sua dor. Não quero ser apenas um consultor do corpo... Não! Quero enxergar o homem por inteiro com suas necessidades mais interiores.
Não se trata somente de medicá-lo, mas também de confortá-lo, de compreendê-lo, de ouví-lo, de amá-lo, de orientá-lo, de ensiná-lo a viver melhor. Eu quero ver Cristo em cada paciente e jamais cair no erro de ser indiferente ao outro e de um cientificismo que aniquila o homem.
Será que ninguém vê que o que o homem precisa é de amor, de atenção, de cuidado, de educação, de respeito, de civilidade, de justiça, de verdade, de Cristo?! Eu quero ser Cristo para cada homem para cada mulher e que Deus me abençoe nessa missão solitária.
Eu quero ser esse profissional que não visa ao lucro e nem ao sucesso humano. Quero ser competente no que faço e, acima de tudo, amar os que sofrem, os doentes, escutá-los, aliviar sua dor. Não quero ser apenas um consultor do corpo... Não! Quero enxergar o homem por inteiro com suas necessidades mais interiores.
Não se trata somente de medicá-lo, mas também de confortá-lo, de compreendê-lo, de ouví-lo, de amá-lo, de orientá-lo, de ensiná-lo a viver melhor. Eu quero ver Cristo em cada paciente e jamais cair no erro de ser indiferente ao outro e de um cientificismo que aniquila o homem.
Será que ninguém vê que o que o homem precisa é de amor, de atenção, de cuidado, de educação, de respeito, de civilidade, de justiça, de verdade, de Cristo?! Eu quero ser Cristo para cada homem para cada mulher e que Deus me abençoe nessa missão solitária.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Dever cumprido
Hoje finalizou-se o primeiro semestre do meu internato. É uma grande conquista pessoal! Passei por muitos desafios, vivi diversas situações, conheci milhares de pessoas, aprendi sobre relação médico-paciente, sobre doenças que nunca tinha visto, e o melhor de tudo, me apaixonei ainda mais pela minha profissão. Foram meses de muito trabalho duro, de muito suor, choro e calorias derrubadas para chegar até o dia de hoje. Agradeço a Deus por este semestre. Sou um homem melhor hoje, mais amadurecido, mais feliz, mais realizado por cumprir a vontade de Deus.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Hospital Geral de Fortaleza
domingo, 26 de abril de 2009
Blog do Ivan
Estou inaugurando um espaço inédito (para mim) na internet! Este é um momento único. Há algum tempo venho pensado em publicar idéias, pensamentos, reflexões, questionamentos e poder compartilhá-las com outras pessoas de cabeça aberta que desejam ampliar seus horizontes de conhecimento e que também podem me ajudar a crescer.
Sou consagrado a Deus pela Comunidade Católica Shalom, participo do ministério Misisonário Shalom, toco teclado e fazemos shows pelo Ceará, pelo Brasil e até no exterior em algumas ocasiões. Amo servir ao Senhor e poder mostrar aos homens que existe sim uma Verdade que pode nos fazer felizes e que pode preencher nossos desejos mais profundos.
Sou ainda estudante de medicina, com conclusão prevista para dezembro de 2010. Amo a minha profissão, amo o contato com o paciente, o envolvimento com sua vida no seu momento de maior fraqueza, que é a sua doença.
Este é um pouco do meu perfil que será ampliado na medida em que atualizarei com novos posts.
Quero conversar sobre a vida, sobre Cristo, sobre assuntos polêmicos, como sexo, camisinha, aborto, namoro; sobre medicina, quem sabe? Só o tempo e a criatividade irão ditar...
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